... o Rio Negro está um pouco mais negro... Enquanto o lixo humano agride a natureza, o ser humano mesmo é agredido pelo retorno de suas agressões. As cheias do Rio Negro, 50 anos atrás eram basicamente cheias de um rio. As cheias do Rio Negro hoje são um caldo de caos, lixo, doença e imundice flutuando criminosamente sobre um sagrado rio.
E que isso sirva de alerta - Deus nos livre!-, para quem ainda convive com límpidos rios...
Nossa capacidade de destruir, infelizmente, é realmente ampla. - Quanto mal pode o homem causar a si próprio, bem como aos seus...!
Facilmente envenenamos nossa própria água, envenenamos nosso próprio ar, nosso chão e até mesmo os frutos que dele colheremos. Ou colheríamos, dependendo...
Hoje, fala-se muito na fragilidade dos ecossistemas. E com razão. Fala-se, porém, ainda mais. Fala-se também na grandeza dessa força, à qual chamamos vida planetária. Um ser, efetivamente, muito forte. Bem mais forte do que nós humanos, em particular, enquanto espécie. Isto é, a vida é forte, ela sobreviverá.
Quanto a nós, por enquanto, sabemos que outros gigantes, como os dinossauros por exemplo, um dia sucumbiram. Por enquanto, o que é certo, é que estamos tendo algumas chances. Sabe como é, estamos aqui há algum tempo, e muitos de nós pretendem(os) continuar a estar ( - Darwin explica...).
A questão é: de que maneira queremos ESTAR?
Em qual tipo de corpo planetário queremos estar inseridos, integrados, unificados?
Temos inteligência suficiente para reconhecer cientificamente que somos uma comunidade, um ecossistema onde vivem bilhões de bactérias e outros seres microscópicos, que estão inclusive sendo estudados (talvez um dia desenvolvam uma etno-antropologia...)... Está nos faltando realizar uma unificação consciente do corpo planetário. É preciso compreender isto, esta consciência sem fronteiras, este sonho de tantos sonhadores célebres, de um mundo sem tantas barreiras, para se ter uma idéia do que seria a verdadeira saúde de planeta, e de todos os seus seres.
Sem esta realização consciente da unificação da raça humana espalhada por todo o planeta, fica difícil conceber a sacralidade de todas as formas de vida com as quais convivemos.
E esta unificação, não pode significar uma uniformização ou subjugação étnica ou parental de qualquer natureza. Deveria antes, se firmar sobre o mais amplo respeito à diversidade, visto que, a própria vida, só surge da mistura, e tudo o que conhecemos no mundo dos fenômenos, é um resultado direto de algum tipo de mistura, ficando a pureza absoluta, preservada ao domínio da mente, visto que no mundo das coisas, todas as coisas se misturam...
Aquilo que atirarmos ao rio da vida, o caudaloso e misterioso rio da vida nos devolverá.
... E ele certamente sobreviverá...






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