Correspondência - Domingo, 15 de julho de 2012.


Em toda a América Latina protestos: contra os retrocessos do código florestal no Brasil, contra explorações de minérios no Peru, e sem falar na situação dos que protestam no Chile (quanta bárbarie!), etc.
No Brasil, especificamente, vemos pessoas sendo até mortas em protestos como o de Belo Monte. Ação justiceira da polícia de São Paulo, pior do que nos tempos da ditadura. Veio bem a calhar o apoio do Maluf ao atual partido dominador... Nossa presidenta, outrora perseguida, agora veste a carapuça de membro do time perseguidor. É o jogo das sombras. E não nos enganemos neste ponto, estamos todos sujeitos a isso. É sempre tão óbvio e gritante para quem olha de fora; mas para a pessoa que "embarca" na viagem, nem sempre fica tudo assim tão claro...
Claro que nem tudo está perdido. E afinal, sempre há chances. Avanços também existem. E aqui, a questão é quântica. Quando dois carros ocupam uma mesma vaga de um estacionamento em dimensões paralelas, e a ciência comprova isto, então sabemos que estamos em um mundo mágico mesmo. Entretanto, apesar de todos os prêmios científicos de Einstein, Plank e Hawkins, as cartilhas do Sistema Único de Educação não vão muito além de propaganda ideológica oitentista...
Sempre se é conquistado por aquilo que se conquista.
Vemos isto todos os dias. O oprimido que deseja o poder, conquista o poder e por fim se vê conquistado pelo poder. E quando isto se enraíza, ele se fragmenta, se estraçalha, não se reconhece; está sob o domínio de poderes que se assemelham às cabeças serpentinas de Hydra: você corta uma e nascem duas...
O sábio chinês contava a história do homem que corria pela praia, assombrado por sua própria sombra, que o seguia onde quer que fosse; e por suas pegadas, que multiplicavam-se atrás de si. E quanto mais ele corria mais pegadas apareciam, e aquela imagem sua, enegrecida, sua própria sombra, ali sempre lhe tocando os calcanhares... Ele correu até liquidar todas as suas forças, e tombar naquela praia, fatalmente morto,  assassinado pelo próprio cansaço. E isto tudo, apenas porque ele não percebeu que, se apenas parasse sob a sombra de um arvoredo, [pausa] não surgiriam mais pegadas e nem veria qualquer sombra sua...
Esta é a simbologia que narra a repetição compulsória de ^certos padrões de comportamento, paradigmas.
Que tal pararmos um instante sob um arvore, para poder olhar ao redor de uma outra perspectiva? ... Talvez um pouco menos "pilhados" nessa corrida louca alucinada, fugindo da sombra e das pegadas...
A crise mundial é este fantasma correndo atrás de quem ainda corre desesperado...
E o pior é que ele pode pegar... É, ele não existe mas mata!
Já foi dito pelo próprio porta-voz das Nações Unidas que o atual sistema econômico-financeiro está falido. E que agora vamos ver quais novos modelos de relações entre coisas, pessoas, planeta etc, vamos criar.
A questão é: vamos continuar na corrida louca em fuga do fantasma que não existe mas mata, ou vamos realmente fazer um "dia em que a terra parou" em nossa corrida louca e olhar as coisas de uma outra perspectiva?
A resposta só existe no "cada um".
E apenas através deste "cada um", pode ser respondida.
Assalaam.

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